A autoestima é uma das coisas que mais influencia a forma como vivemos, e uma das menos compreendidas. Costuma confundir-se com vaidade ou arrogância, mas é o contrário disso: é a relação que tens contigo próprio, o valor que acreditas ter, e a forma como te tratas quando as coisas não correm bem.
O que é a autoestima (e o que não é)
Autoestima é a avaliação que fazemos de nós próprios: o que acreditamos que merecemos, o que pensamos que somos capazes de fazer, e a forma como falamos connosco na nossa cabeça. Não é achar que somos melhores do que os outros. É, sobretudo, conseguir ser justo e compassivo contigo, mesmo quando falhas.
Quando a autoestima está baixa, tudo fica mais difícil: tomar decisões, aceitar elogios, impor limites, começar algo novo. E a voz interior transforma-se num crítico implacável que amplifica cada erro.
Sinais de baixa autoestima
Alguns dos sinais mais comuns são:
- Comparares-te constantemente com os outros e saíres sempre a perder
- Dificuldade em aceitar elogios ou em reconhecer as tuas conquistas
- Medo de falhar tão grande que te impede de tentar
- Pedires desculpa em excesso e desvalorizares-te
- Dificuldade em pôr limites, por medo de desapontar ou de seres rejeitado
- Autocrítica muito dura quando cometes um erro
- Uma sensação persistente de não seres suficiente
De onde vem a baixa autoestima
Na maioria dos casos, a forma como te vês foi aprendida, muitas vezes cedo na vida, em ambientes onde o afeto ou a aprovação eram condicionais, ou onde os erros eram mais notados do que as conquistas. Essas mensagens ficam gravadas como crenças sobre ti (por exemplo, "tenho de ser perfeito para ser aceite") e continuam a funcionar em automático na idade adulta, mesmo já não fazendo sentido.
A boa notícia é simples e importante: se a autoestima baixa foi aprendida, também pode ser trabalhada e mudada. Não és "assim de fábrica".
Como melhorar a autoestima (o que realmente funciona)
Não há um botão mágico, mas há um trabalho concreto e com evidência. Alguns passos que ajudam:
- Reconhece o teu crítico interno. Repara na voz que te desvaloriza e dá-lhe um nome. Só o facto de a notares já lhe tira poder.
- Trata-te como tratarias um bom amigo. Pergunta-te: "diria isto a alguém de quem gosto?" Se não, também não o digas a ti.
- Reconhece as tuas conquistas, por pequenas que sejam. Quem tem baixa autoestima filtra o positivo. Treina-te para o registar.
- Age apesar do medo de falhar. A confiança não vem antes da ação, vem depois. Cada pequeno passo alimenta-a.
- Pratica pôr limites. Dizer "não" quando precisas ensina o teu cérebro que a tua vontade também conta.
O que NÃO funciona (mitos comuns)
Repetir afirmações vazias ao espelho ("sou incrível") raramente resulta quando não acreditas nelas, pode até reforçar a distância entre o que dizes e o que sentes. Comparar a tua evolução com a dos outros também não ajuda. E "pensar positivo" à força não muda crenças profundas. O trabalho real é mais honesto: é aprender a ser justo contigo, não fingir que és perfeito.
Como a terapia ajuda a construir autoestima
Em terapia trabalhamos as crenças centrais que tens sobre ti, muitas construídas ao longo de anos, e que já não refletem quem és hoje. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ajuda a identificar esses padrões automáticos de pensamento e a substituí-los por formas de te veres mais equilibradas e compassivas. Não é sobre fingir uma confiança que não sentes, é sobre construir uma base real e mais justa.
Muitas pessoas ficam surpreendidas com o impacto que este trabalho tem em todas as outras áreas da vida, das relações às decisões profissionais. Se te reconheces na baixa autoestima, saber que se pode mudar já é um primeiro passo.